Postagens

Diário do escritor que não fui - 12 de março de 2024

 Não fui o escritor que sonhara, mas estranhamente sempre escrevi. Agora mesmo, nesta manhã amanhecida de sol, após tantos dias de chuva, e com uma ponta de angústia que costuma me visitar, aqui estou eu, a escrever sabe-se lá o quê e para quê. Minhas melhores referências sempre foram os escritores que eu lia e relia. O prazer de "conviver" com mundos de maior significado, ouvir monólogos e diálogos mais profundos, avizinhar-me a ideias de maior relevância e a vidas edificantes. Nesse caminho encontrei grandes figuras e experimentei momentos de prazer. Escrever tem sido em toda esta vida uma necessidade existencial, como já disse, em outro momento.  Ao produzir um texto parece que me sinto mais organizado, mais pacificado. Ao encontrar as palavras para expressarem o que me surge na alma é como se eu realmente fosse dando os passos que preciso para caminhar nesta Terra.

Diário do escritor que não fui - 4 de setembro de 2023

 E 2 anos passaram. Um tempo difícil! Meu câncer foi diagnosticado. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia, dificuldades físicas, sofrimentos... Aprendi sobre a finitude, mas me ative à vida, apesar das adversidades, Pita foi meu anjo protetor entre outras e variadas atribuições.

Diário do escritor que não fui - 9 de novembro de 2018 - sexta-feira

Noite fria e chuvosa. Pleno novembro. Coisas desses nossos loucos tempos. Ontem fomos assistir a uma leitura na Casa de Stefan Zweig, esse importante espaço que preza pelo humanismo, pacifismo e proteção à diversidade. Um premiado escritor alemão, Michael Kleeberg leu trechos de seu livro que fala sobre migrações e seus dramas

Eu e O Escrevinhador 2 ( A propósito do "Livro do Desassossego" - Bernardo Soares-Fernando Pessoa)

  A minha caixa de correio, no velho portão zinho de entrada, desde que conheci O Escrevinhador, passou a ter uma vida jamais sonhada nem por mim nem por ela. Após nossos encontros em um banco de praça, um café, um bar, um caminhar em silêncio, sempre rendia, dias depois, o resultado sob a forma de um texto. Nada muito previsto, sem dias ou ocasiões especiais, e os assuntos tocavam aquela vida do seu personagem do desassossego: Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros. Um dos últimos textos que recebi dele, em minha caixa, eram suas considerações sobre tudo que ao outro fora negado por aqueles que não queriam dar-se ao trabalho de "desabotoar o casaco". Em outro momento passarei a vocês esses textos com as notas d'O Escrevinhador. Da última vez em que nos encontramos pouco falamos, mas nos misturamos àquele mundo do bar da esquina onde "riam os parvos felizes", como dizia o texto. Apesar de todos os pesares, bebemos e rimos, deixamo-nos ser tão parvos quanto...
  Eu e o escrevinhador Não sei nem como foi que o conheci direito. E como com aquele outro, que ele tanto admira na sua mais completa falta de admiração, foi um acaso qualquer que nos atropelou aí, por um desses caminhos toscos da vida. Quase não falava. E chegamos mesmo a nos encontrar algumas vezes para compartilhar dos nossos silêncios cansados. Um dia, por inspiração do outro, transformou-se ele também, de sombra a escrevinhador, como se auto intitulava. Sua sina encontrara uma religião e uma filosofia, em uma não religião nem filosofia. Um livro e um autor fictício deram-lhe um dessentido na vida. Bernardo Soares e o seu "Livro do Desassossego". Várias vezes o escrevinhador trazia-me trechos de sua antibíblia. Ainda ontem, deixou-me essa confissão do outro e prometeu escrevinhar-me algo sobre esse trecho do seu desidolatrado e desassossegado ajudante de guarda-livros. "Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo (.....
 Diário do escritor que não fui -  2 de agosto de 2021 Já quase um ano sem visitar este diário. Tanto e tanto aconteceu. Em setembro do ano passado perdi meu pai, que já vinha adoentado. Finalmente, graças a um edital público de apoio às artes e à cultura consegui imprimir os meus livros. Dois em um. "Olhos Parados" e O "Azul do Zen". Tive um problema de saúde, depois de algum tempo tive que fazer uma biópsia pois havia a suspeita de um câncer na região sublingual. passei umas duas semanas tensas, enquanto não vinha o resultado. Depois, com a resposta, verificou-se que não era nada tão grave. Não havia tumor, mas ainda não se sabe o que causou o problema.  Existem algumas hipóteses. De qualquer forma terei que fazer uma cirurgia para extrair o gânglio. E para piorar tudo, minha mãe foi infectada pela Covid 19 e após 15 dias hospitalizada não resistiu. Meu primo João já falecera infectado pelo vírus. É mesmo uma grande tragédia que se abateu sobre nós. Neste agosto d...

Joaquins

  Joaquins... Capítulo 1          Cresceu assim. Ouvindo sempre no   rádio aventureiros, militares, piratas, generais e marechais dando seus golpes de estado. Era um continente invadido, escravizado. E ele, olhando no espelho, tentava entender seu futuro. Mas o espelho   não conseguia responder direito. Estava opaco. Manchado. E como podia, foi crescendo Joaquim.          Certo dia, lá pelos 9 anos, suspenderam as aulas. Caminhões cheios de soldados atravessavam a cidade. À época, chamaram de revolução, mas ele foi crescendo e entendendo que o verdadeiro nome era golpe. Lembrou dos noticiários que ouvira tantas vezes no rádio. Agora acontecia ali, em sua terra. A América do Norte desnorteava a outra América. Mas ele ainda não entendia o que se passava. Tão menino, ainda!­­­­­­­­­­­ Só que havia muitos outros Joaquins, já bem mais velhos, que também não faziam a menor ideia de toda aquela...

Diário do escritor que não fui - 10/10/2020

  Dias e dias, conferências e encontros virtuais, redes sociais, mais tecnológicas que sociais. O Brasil já tem quase 150.000 mortos pelo vírus. E os desgovernantes continuam o processo de demolição do país. Será que um dia sairemos desta ? 

Diário do escritor que não fui (Março de 2020 - A Pandemia e o Pandemônio)

A pandemia e o pandemônio Ele chegou em março, o vírus. Foi assolando o mundo. Deixando centenas, milhares de mortes. As aulas pararam, tudo teve que parar. Ficamos confinados. Só podíamos sair de máscara que protegesse do contágio. Idosos foram considerados população de risco. E nesta, estou incluído. Estamos, eu e Pita, pois já passamos dos sessenta. Quando precisamos ir ao mercado para abastecer a casa, existe todo um ritual a ser seguido em detalhes. Trocas de roupa. Sapatos. Lavar os produtos, embalagens e sacas, ao voltar das compras. E o pior é que não temos autoridades responsáveis que desenvolvam planejamentos e estratégias para minimizar os males, pelo contrário, o psicopata que foi alçado à presidência age como se não houvesse uma pandemia. Chegou a menosprezar a dimensão do problema, chamando de "gripezinha". A preocupação dele é com a economia e o lucro dos seus ricos patrões, não se importando com as vidas humanas, na verdade mandando-as à morte, disseminando ...

Diário do escritor que não fui - 7 de fevereiro de 2020

2020. Um ano que pede mais do que nunca sinceridade. Por isso volto aqui. Sentimentos misturados. A idade começa a pesar nos dois pratos da balança. Ora um lago de tristeza, ora a vastidão e a liberdade dos páramos. Como dois contos que escrevi para o livro inédito (mais um) "Contos do pôr do sol". Viver de verdade não é coisa mesmo para amador. Chuva, sol, arco íris, mais chuva, mais sol, jardim molhado, temporal,  relâmpagos, trovões, cachoeira descendo da mata, águas invadindo o jardim, rios pelos quintais... Pingos escasseando...Fim de tarde secando...Noite...Silêncio... Uma pausa naquela adaga pendulando sobre a cabeça. As cobranças se esquecem. O aperto desvanece no peito. As secretas lágrimas secam, somem da paisagem. O sonho cobre o mundo com o manto do descanso. As águas murmuram mansas. O passado e o futuro adormeceram...

Diário do escritor que não fui - 11 de novembro de 2019

Meses e meses sem escrever nada aqui. Escrevendo coisas por aí. Tentando lutar com as palavras contra as trevas da ignorância que escureceram o Brasil. Hoje volto nesta noite molhada das chuvas da tarde. Andei dias atrás avaliando que, afinal, não foi tão ruim não ter sido o escritor que sonhei. Permaneci independente. Livre para escrever o que quisesse e também para ter o direito de não escrever. Fiz as pazes com o escritor que não fui e, consequentemente, com você, meu amigo leitor invisível. Por isso te convido neste momento para termos aqui este papo descontraído, desacademizado. Vamos beber o vinho da imaginação e colocar algumas conversas e notícias em dia. Hoje fui à casa do Leonardo Fróes e da Regina Lustosa para buscar os livros que ele doou para a biblioteca do colégio onde leciono. Leonardo foi um dos julgadores que escolheram os livros premiados no concurso da Biblioteca Nacional e existia a condição de doar os livros que ele analisou para uma biblioteca e, por essa razão,...

�� Entre Vistas com o ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão

Imagem

IMPASSE

IMPASSE (para os que têm paciência para a poesia e resistência para a revolta) Manhã úmida frios que chovem alma parada vontades que calam. Quanta coisa quantas causas. Impasse de agora em passos que somem. Tarde engolida noite que treme o fogo e o vinho o sino dos ventos. A vida estancada impasse de agora, Apostas perdidas largadas estradas sonhos dissolvidos país entre trevas. Vieram vampiros seguiram-se monstros bandeiras fascistas nos risos mais torpes. O impasse sem passe nos passos de agora. O culto das armas o luto das almas. O sangue dos fracos parado nas veias a ira dos bons buscando caminhos a raiva dos tolos fechando os atalhos. Nos passos parados do impasse de agora. Risos de máscaras esgar de escárnios carranca da besta navio fantasma. No rio das farsas os monstros emergem subindo ao convés. Os porcos chafurdam lambendo a luxúria no mundo ao revés. Nos cínicos lábios palavras amargas do fel dos falsários que desgovernaram. Na dança macabra já se...

Diário do escritor que não fui 13 de junho de 2019

Recebi há alguns dias o texto formatado pela Carla para a edição do meu livro de poesias "O Azul do Zen". Agora ela está trabalhando no outro livro, uma novela, "Olhos Parados". A ideia é publicá-los juntos, em um único livro. Já acalento esse sonho há mais de 2 décadas. Agora a coisa vai! Hoje foi um dia de muita arte em nosso CIEP. O colégio é um tesouro de jovens e talentosos artistas populares. Dançarinas e dançarinos, músicos, poetas, cantoras e cantores, é o máximo. É uma profusão. Coisa de arrepiar e emocionar. Semana de festival de artes é tempo de muita energia jovem e criatividade. Viva a juventude do meu país! Hoje ainda voltarei para a aula do noturno.Agora é respirar um pouco para depois cumprir a jornada. Preciso de um tempo maior aqui, com você, leitor invisível, para te contar sobre uma descoberta. O nascimento de um novo olhar...

Diário do escritor que não fui - 19 de maio de 2019

Manhã de domingo. Um solzinho tenta chegar lá embaixo no jardim. Nos últimos dois dias o frio vem se aproximando. O Brasil, nesta semana que termina, pegou fogo nas ruas com as manifestações contra as (des)medidas do governo em relação à educação e à (de)forma da previdência. O que estamos presenciando aqui seria impensável há alguns anos atrás. Jamais poderíamos imaginar descer a um nível tão baixo. Encontro amigos que administravam projetos de cultura e constato sua decepção e desencanto com a atual situação. É uma violência a cada dia. Bons projetos, ótimas iniciativas estão sendo abortadas. Vou descer para caminhar um pouco. Depois tenho alguns textos de alunos para ler e voltarei mais tarde aqui, para a nossa conversa.

Diário do escritor que não fui - 18 de maio de 2019

Antes de dormir quero fazer justiça a você. Não mais lhe chamarei de "leitor inexistente", mas sim de amig@ invisível. Muitos dias não apareci por aqui. Amanhã voltarei. Boa noite!

Diário do escritor que não fui - 22 de abril de 2019

Acordo em silêncio. Do tamanho da minha idade. 64 anos. Manhã de sol no Rio de Janeiro. Pareço perceber algo que sempre esteve em mim e que só agora torna-se tão claro. Toda a minha história e suas consequentes limitações. Lembro aquela máxima "sartreana": "...o importante não é o que fizeram de nós e sim o que nós fazemos com o que fizeram de nós..." Penso no passado e nos caminhos que estavam fechados para mim e para tantos jovens que conheci. O que fizemos de nós ?  Mas havia fronteiras intransponíveis. Eis aí uma das causas do "escritor que não fui". Despertei hoje, na minha classe, na minha história, na minha geografia e na minha existência. Calo profundamente e olho para a natureza. Penso em meus semelhantes. Na viagem que consegui fazer já com mais de 50 anos. Nas viagens que não fiz. Nas vantagens que não tive. Nos mundos que sonhei. Nas realidades que enfrentei.

Nossos dias

Nossos dias Não lhes dão tempo para pensar mas lhes dão trabalho, muito trabalho. Sempre lhes deram. E um parco salário. Sempre um parco e mínimo salário. E lhes dão religiões e promessas de um outro mundo onde serão ricos e felizes ao lado dos deuses que eles inventam. Lá não existirá a miséria extrema. Nem a exploração e a tristeza que eles inventam. E lhes dão governantes ignorantes e cúmplices, capatazes estúpidos que eles inventam com o voto dos outros, o povo, que eles enganam. E enquanto eles riem assim roda essa máquina, essa trama macabra que eles engendram. sylvio 16-04-2019

Sonho

Um sonho. Das varandas, das sacadas, das soleiras, janelas e portas abertas, e sorrisos de almas que se encontram. Cédulas e celulares esquecidos. Shoppings esvaziados, largados, desérticos. Sol brilhando nos olhos. Árvores e homens na dança da paz. Vida renascida...Um sonho, só um sonho. Mas a manhã agradece em silêncio..

Para acordar os adultos e adormecer as crianças

Parece que parou A balbúrdia do mundo Emudeceu assim sim A Torre de Babel Silenciou... O incêndio do circo Sempre premente Em estado de espetáculo Apagou. Carros e mais carros Sumiram das avenidas do mundo As ruas sorriram de espaço Os passos acalmaram-se nas trilhas E os pássaros Ensinaram aos homens O mágico dom de seus voos Então o escritor respirou Profundo E profundamente Fechou A última página Do seu Livro das Utopias Soube-se que a partir de então Todo seu ser transmutara Na mais cristalina Poesia... 22-03-2019